10.09.2019 | 08h:52
Tamanho do texto A - A+

Empreiteiro diz que não entregou obras da Copa por perseguição de Taques

DA REDAÇÃO

KAROLLEN NADESKA

 O empresário Robério Garcia, dono da construtora Engeglobal, contratada para atuar nas obras da Copa do Mundo de 2014, afirmou que indefinições projetista e suposta “perseguição política” por parte do ex-governador Pedro Taques (PPSDB) inviabilizaram a entrega do pacote de edificações nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande após o Mundial.

Durante vistoria das equipes técnicas na manhã desta segunda-feira (09), no Centro Oficial de Treinamento (COT), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o empresário afirmou que a medida para suspensão das obras, era uma forma de o governador Pedro Taques (PSDB) atingir o seu filho, o ex-deputado federal Fábio Garcia, e o governador Mauro Mendes (ambos DEM) em fase de eleições.

“Houve um problema político e vocês [imprensa] sabem que eu tenho conexões políticas no Estado e houve uma confusão do Governo passado no sentido de ‘Pega o Berinho’. Foi uma bobagem, uma brincadeira porque isso não iria afetar Mauro Mendes de ser governador e nem meu filho [Fábio Garcia] de ser na época deputado federal”, pontua.

Robério citou alguns impeditivos por parte do Governo do Estado que prolongaram a dívida com a Engeglobal e a finalização do contrato e, como consequência, prejudicaram os repasses à construtora no montante de R$ 5 milhões.  

“Quando a obra começou a mudança foi muito grande, não tinha projeto e não tinha como realizar as obras, uma quantidade enorme de aditivos e indefinições”, explicou.

“No caso de Mato Grosso tinha outros problemas que afetaram todas as obras da Copa, não só as minhas. Quando tinha orçamento não tinha projeto, quando tinha projeto e orçamento não tinha dinheiro. Então foi uma confusão total em todas as obras por isso esse insucesso total”, complementa.

O empresário afirma que as dificuldades não pararam “por ali”, pois, sequencialmente a isso, o governador Pedro Taques ainda realizou a manutenção de um decreto assinado pelo ex-governador Silval Barbosa (ex-MDB) que estagnou totalmente as atividades no COT da UFMT, causando a irresolução do problema e gerando prejuízos para as seleções da Coréia do Norte e Japão, que deixaram de treinar no local.

 

“Quando a Copa do Mundo acabou o governador Silval assinou um decreto paralisando essas obras e o sucessor, Pedro Taques, reeditou o decreto paralisando por mais de anos as obras”, finaliza.

Outro lado

À reportagem, o ex-governador Pedro Taques (PSDB) negou ter articulado um plano para prejudicar o filho e amigo do empresário e ironizou as declarações do empreiteiro, afirmando que na época dos fatos já havia um contrato “quebrado” por uma questão judicial e que o referido empresário teria histórico pendências contratuais desde que o tucano era “criança”.

“Sim [nego]. Os processos são públicos, é só olhar na Secid [Secretaria das Cidades], lá estão os motivos, todos escritos e fundamentados; aliás, o citado empresário tem obras paradas desde que eu era criança. Veja esse hotel da Avenida do CPA com a Miguel Sútil, com recursos da SUDAN”, rechaçou o tucano.