09 de Setembro de 2021, 10h:59 - A | A

Nacional / DESOCUPAÇÃO É NEGOCIADA

30 caminhões deixam Esplanada dos Ministérios; 71 permanecem no local

A desmobilização ocorre após um bate cabeça entre os manifestantes bolsonaristas e o próprio presidente Bolsonaro

JORNAL DE BRASÍLIA




Trinta dos 101 caminhões que bloqueavam a Esplanada dos Ministérios deixaram o local até o começo da manhã desta quinta-feira (9).

A desmobilização ocorre após um bate cabeça entre os manifestantes bolsonaristas e o próprio presidente Jair Bolsonaro a respeito do que fazer em relação à paralisação com viés golpista, que visa a atacar o STF (Supremo Tribunal Federal).

Na manhã desta quinta, Bolsonaro disse a apoiadores que conversará com caminhoneiros alinhados ao governo ainda hoje. O chefe do Executivo já havia gravado um áudio na quarta (8) para que aliados repassassem aos caminhoneiros, pedindo que liberassem as vias.

Além da Esplanada, integrantes da categoria bloqueiam trechos de rodovias desde o 7 de Setembro, quando ocorreram os protestos de raiz golpista em apoio a Bolsonaro. Os bloqueios já atingem 15 estados.

“Vou conversar com os caminhoneiros pra gente tomar decisão, tá ok?”, disse o presidente em vídeo divulgado por assessor nas redes sociais. Uma conversa com caminhoneiros está prevista para ocorrer até o fim da manhã, com a participação do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

Os responsáveis pelos caminhões que estão na Esplanada derrubaram bloqueios policiais na segunda (6) e invadiram a via. Eles desrespeitaram o acordo feito com autoridades de segurança pública no DF para que deixassem o espaço até o fim da tarde de quarta (8).

Os caminhões foram usados na manifestação golpista para pressionar pela invasão da via que dá acesso ao STF e ao Congresso. O bloqueio na altura do Itamaraty, que impede o acesso aos dois prédios, foi o único que não foi derrubado pelos manifestantes bolsonaristas.

Após a resistência inicial, quase um terço dos caminhões já foi retirado da Esplanada, como constatou a Folha na manhã desta quinta. Agora, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) do DF negocia a retirada do restante dos veículos ainda nesta quinta.

A Esplanada dos Ministérios segue bloqueada para o trânsito, o que vem causando transtorno na região central de Brasília. O desrespeito ao acordo feito e as ameaças de invasão fizeram o bloqueio se estender além do previsto e levaram à interrupção do funcionamento do Congresso e do TCU (Tribunal de Contas da União), por exemplo.

A reportagem constatou que os dez caminhões que levam a inscrição da empresa Pro Tork, colocados bem em frente ao Congresso, antes da grade de isolamento, foram retirados do local.

A Pro Tork é uma empresa que fabrica capacetes e equipamentos para motocicletas. Está sediada no Paraná. Os dez caminhões dispostos em frente ao Congresso auxiliavam na pressão por invasão à via que dá acesso ao STF.

Já os quatro caminhões identificados com logotipo do Grupo Brasil Novo, uma empresa de logística sediada em Florianópolis, foram retirados da via e colocados no canteiro central da Esplanada.

O mesmo foi feito com os caminhões identificados com os nomes da Arroz e Feijão Grão Dourado, Irmãos Chiari Agropecuária e Dez Alimentos, empresas do interior de Goiás.

A reportagem tenta desde quarta (8) uma resposta das empresas sobre a presença desses caminhões na Esplanada dos Ministérios.

A Dez Alimentos, por meio de um de seus representantes, afirmou que os caminhões presentes na Esplanada são de caminhoneiros que prestam serviço à empresa com exclusividade na “carga de ida”. Mesmo assim, segundo a empresa, eles teriam participado da manifestação por conta própria.

O Grupo Brasil Novo disse que “não tem interesse em aparecer na mídia”.

Na noite de quarta, a PM e a Secretaria de Segurança Pública do DF tentavam negociar a saída de caminhoneiros que seguem acampados na Esplanada, obstruindo a via.

O secretário de segurança do DF, Júlio Danilo, confirma que alguns caminhoneiros já deixaram o local. A equipe da pasta esteve por lá até as 6h acompanhando a saída deles e a retirada das estruturas.

 

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