15 de Fevereiro de 2022, 11h:01 - A | A

Poderes / FUTURO INCERTO

Jayme e Mauro demonstram desgaste e relação afeta disputa ao Governo

Desentendimento entre os maiores líderes do DEM, agora União Brasil, pode mudar completamente o tabuleiro político

EUZIANY TEODORO
CAMILLA ZENI



O senador Jayme Campos, cacique do DEM, agora União Brasil, e o governador Mauro Mendes (mesmo partido), demonstram uma relação política desgastada e isso deve afetar diretamente a disputa pelo Governo do Estado. Antes aliados de primeira hora, tudo indica um descontentamento por parte do senador, que já se aproxima de Wellington Fagundes (PL) e um possível projeto alternativo ao governo.

Em entrevista nessa segunda-feira (14), Jayme expôs que tem se sentido desrespeitado por Mauro Mendes e seu grupo na administração estadual, chegando às vezes a ter que “implorar” para ser atendido por secretários.

“Não é que não tem respeito, Mauro me trata muito bem. Agora, tem que ter um tratamento, politicamente falando, eu não dependo do governo, sou independente, não sou empreiteiro, não sou fornecedor, não tenho filho pra empregar, não tenho nada. Quero que o governo veja a gente como aliado. Agora, eleger o cidadão e depois ser tratado como adversário, ‘byebye byebye’, não é com Jayme Campos. Eu tenho constrangimento, muitas vezes, de ir no Palácio [Paiaguás] ou numa secretaria de Estado”, afirmou Jayme, ao deixar claro que se sente desrespeitado.

De acordo com o senador, ele e outras pessoas do grupo político se sentes tratados como adversários do governo quando vão a algumas secretarias. Ele foi enfático ao dizer que apoiaria Mauro à reeleição por ser do mesmo partido, “desde que seja respeitado”. “Pra continuar do jeito que tá, tchau tchau, byebye byebye”, repetiu.

Em coletiva nesta terça-feira (15), Mauro afirmou que não está ciente do descontentamento de Jayme e pretende conversar diretamente com ele.

“Eu vou conversar com Jayme pessoalmente, porque é ruim responder coisas assim, mas eu nunca faltei o respeito com ninguém, muito menos com ele. Eu trato todo mundo com o devido respeito. Não sei qual que é a insatisfação no final do dia dele, mas eu prefiro ouvir dele” afirmou.

Sobre a reclamação de que sequer vai a algumas secretarias estaduais, devido ao tratamento, Mauro respondeu que, nesse caso, “não é com ele”.

“Mas aí não é comigo, é com os meus secretários. Por isso que não é bom você responder coisas quando é dito por outros, respeitosamente, mas eu não tenho essa mania. Mas eu vou conversar com o Jayme, não tenha dúvida, e entender o que está passando”, disse.

Projeto alternativo ao Governo

O descontentamento dos dois maiores caciques do DEM com Mauro Mendes está cada vez mais evidente. Além de Jayme, Júlio Campos também tem reclamado de não ser ouvido e respeitado. Consequência disso é a aproximação com um projeto alternativo ao Governo do Estado, tanto numa aproximação com o senador Wellington Fagundes (PL), como com Carlos Bezerra e Emanuel Pinheiro, ambos do MDB.

Na última sexta-feira (11), Jayme se reuniu com ambos, mas afirmou que isso não quer dizer nada politicamente, pelo menos ainda.

“Eu não tenho que me aproximar, eu sou amigo deles há 200 anos. Conheci Emanuel Pinheiro de calça curta, fui eleitor do pai dele. Não tem nada, Emanuel é meu amigo, como outros aqui. Wellington Fagundes, quem trouxe fui eu, em 1990, quando ele virou deputado federal na chapa do DEM. Ele era presidente da Associação Comercial de Rondonópolis. (...) Ele é meu amigo, qual o problema com isso?”, questiona.

Se isso afeta a relação com o governador Mauro Mendes, preferiu não responder. “Aí eu já não sei. Aí você pode indagar a ele. Converso com todo mundo”, resumiu.

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