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27 de Fevereiro de 2026, 20h:00 - A | A

Política / DEBATE NA ALMT

“Terminal é da capital”, reage Fórum Pró-Ferrovia a indicação de terminal em Santo Antônio de Leverger

Francisco Vuolo afirma que contratos e leis definem Cuiabá como sede do terminal ferroviário; reunião nesta segunda-feira vai esclarecer o assunto

VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



Após o deputado estadual Wilson Santos (PSD) apresentar, em sessão plenária na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), a indicação para que o futuro terminal ferroviário da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo seja instalado em Santo Antônio de Leverger ao invés de Cuiabá, o presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo, reagiu dizendo que o terminal é da capital.

A ferrovia é uma luta de Cuiabá, tem mais de cinquenta anos de luta. Todos os contratos apontam para Cuiabá, todas as leis apontam para Cuiabá. Cuiabá é a origem de tudo. Foi a partir de Cuiabá que surgiu a ferrovia”, afirmou. 

Embora a proposta apresentada pelo deputado possa parecer uma sugestão de possível alteração de local para a construção do terminal, Francisco Vuolo esclareceu que a discussão é referente à titularidade da área onde ficará a estação, que pode passar a ser do território levergense, como uma forma de compensação. 

Para tratar sobre o assunto, uma reunião entre os deputados estaduais Wilson Santos e Max Russi (PSB) e os integrantes do Fórum Pró-Ferrovia, que inclui entidades de classe, lideranças empresariais e sociedade organizada, foi agendada para esta segunda-feira (02), às 14h30, na Sala das Comissões Deputada Sarita Baracat.

  

De acordo com Vuolo, a reunião será para informar aos membros que compõem o Fórum que o terminal ferroviário não vai mudar de local.

 

A nossa intenção é poder consolidar o terminal e a reunião será para compartilhar com as outras entidades que compõem o Fórum que não vai mudar o local, para que todos tenham ciência do que está acontecendo”, explicou o presidente.

A movimentação sobre a área de construção da estação ferroviária foi motivada após a promulgação, no início de fevereiro, de duas leis de autoria de Wilson Santos, que alteraram a divisa intermunicipal entre Cuiabá e Santo Antônio de Leverger.

Com a mudança, a área onde está sendo construído o novo Hospital Universitário Júlio Müller passou oficialmente a integrar Santo Antônio de Leverger. A alteração, no entanto, vem sendo questionada por diversas autoridades, que levantam dúvidas sobre a capacidade do município de gerir o hospital.

Nesse contexto, surgiu a possibilidade de transferir para Santo Antônio de Leverger a área da estação ferroviária, como compensação territorial, caso o Hospital Universitário retorne para Cuiabá.

Foi diante das especulações de mudança do local do terminal que o presidente do Fórum Pró-Ferrovia apresentou o traçado da ferrovia, que consta no projeto elaborado pela Rumo, responsável pela execução das obras.

Ele lembrou que o ponto de chegada de um ramal da ferrovia é em Cuiabá, na saída para Santo Antônio de Leverger, entre o Distrito Industrial da capital e a Rodovia dos Imigrantes, pois o local é uma região privilegiada por empreendimentos como a termelétrica, o gasoduto e a estação aduaneira Porto Seco.

Além disso, Vuolo destaca que a localização permite que a Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo possa se expandir futuramente.

Para Francisco Vuolo, o terminal irá beneficiar não só Cuiabá, mas Santo Antônio de Leverger, Várzea Grande e toda a Baixada Cuiabana, com geração de empregos e desenvolvimento.

Tudo isso faz parte de um complexo que vai estar funcionando e que vai fortalecer a economia de um modo geral. A localização beneficia muito Santo Antônio, Várzea Grande e toda a Baixada Cuiabana. O terminal já está em uma localização estratégica para atender Santo Antônio”, destacou.

O sonho da ferrovia

A luta pela chegada da ferrovia em Cuiabá atravessa mais de cinco décadas. O projeto foi idealizado pelo senador Vicente Emílio Vuolo, pai de Francisco Vuolo, e apresentado em 1975, quando não havia no plano nacional a previsão de ferrovia para Mato Grosso.

No entanto, o então presidente da República, Ernesto Geisel, alterou o plano para a expansão dos trilhos, pois via que o solo mato-grossense era produtivo, mas estava isolado.

Naquela época, o grande obstáculo para o avanço da ferrovia era o Rio Paraná, e a solução foi a construção de uma ponte rodoferroviária, com pista para veículos em cima e trilhos de trem embaixo, que leva o nome Rollemberg-Vuolo — Vuolo em homenagem ao criador do projeto e Rollemberg em homenagem ao engenheiro e empresário Cássio Rollemberg, que ajudou a tirar o projeto do papel, em 1990.

As obras começaram a partir de São Paulo e, em 1998, a ferrovia entrou em operação até Alto Araguaia. Posteriormente, os trilhos alcançaram Rondonópolis. A ferrovia se chama Ferrovia Norte Brasil, a Ferronorte, e transporta cerca de 25 milhões de toneladas de carga por ano.

Em 2001, Vicente Vuolo morreu, e Francisco Vuolo criou o Fórum Pró-Ferrovia para que a luta pela chegada dos trilhos à capital de Mato Grosso não fosse interrompida.

A partir de 2010, a discussão deixou de ser apenas política e passou a ser econômica. Mato Grosso se consolidou como o maior produtor de grãos do país, os custos logísticos subiram e a dependência quase exclusiva do transporte rodoviário se tornou um gargalo. A ferrovia, então, passou a ser, além de sonho, uma necessidade.

Em 2020, Mato Grosso adotou o modelo de ferrovia estadual por autorização, permitindo a participação direta da iniciativa privada. Em 2021, o Governo do Estado assinou com a Rumo o contrato de autorização para a construção da Primeira Ferrovia Estadual do Brasil, batizada de Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo.

Agora, ter a certeza de que o trem vai chegar a Cuiabá, de acordo com Francisco Vuolo, é um misto de emoção e realização.

Para mim, é um misto de emoção e de realização ter a oportunidade de ver Cuiabá sendo contemplada com a ferrovia”, afirmou.

Para ele, a ferrovia representa a luta do pai se transformando em uma locomotiva de desenvolvimento.

Hoje eu fico muito feliz e tenho certeza de que tudo aquilo que ele plantou e tudo aquilo que estamos trabalhando no Fórum vai reverter em desenvolvimento”, disse.

É uma locomotiva de desenvolvimento para Cuiabá e para Mato Grosso”, acrescentou.

O traçado

A Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo está em construção para ligar o Norte de Mato Grosso ao Porto de Santos, em São Paulo, e, a partir dele, ao mercado internacional. O traçado parte de Rondonópolis, onde já existe a Ferronorte em operação, e segue em direção a Lucas do Rio Verde, com um ramal projetado para chegar a Cuiabá.

Ao todo, o empreendimento soma 743 quilômetros de trilhos. 

O trecho inicial, com cerca de 162 quilômetros entre Rondonópolis e Dom Aquino/Campo Verde, tem previsão de início de operação já no segundo semestre deste ano. A conclusão integral do projeto, incluindo as extensões até Cuiabá, Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, está prevista para ocorrer até 2030.

A Ferronorte também é operada pela Rumo. Essa linha é utilizada principalmente para o transporte de grãos e commodities agrícolas e integra um dos principais corredores de exportação do país. Ela atravessa o Sul do estado, passando por Alto Araguaia e chegando a Rondonópolis, que se tornou o principal terminal ferroviário da Rumo em Mato Grosso.

 
 

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