DO REPORTERMT
METRÓPOLES
Diante do recente bombardeio comandado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Venezuela e da prisão de Nicolás Maduro, ocorrida na madrugada de hoje (3), cresce o debate sobre os interesses americanos e o estopim que culminou na operação militar no país. Segundo o analista político João Edisom, o ataque não deve despertar compaixão pelo presidente venezuelano, porém representa, sim, uma quebra de soberania.
“A gente tem que considerar algumas coisas. A Venezuela é uma ditadura. Na última eleição ficou muito claro que o Maduro não venceu. Ele ficou no poder. É um golpe, maculou o processo eleitoral”, afirmou.
“Ninguém tem que ter pena ou ter dó do Maduro, isso é um outro problema”, acrescentou.
Ao
, o analista explicou que, mesmo diante do golpe evidente e do regime ditatorial implantado no país, a decisão do presidente americano de realizar uma operação militar na Venezuela configura uma violação da soberania nacional. Segundo ele, trata-se de uma afronta ao princípio do direito internacional que reconhece a autoridade e a independência de um governo sobre seu território.
“O que está acontecendo é um afronte de uma nação contra outra. É uma invasão mesmo, é uma quebra de soberania. Existiam várias outras formas de resolver a questão do Maduro, também teria como derrubá-lo do poder sem necessariamente fazer esse tipo de invasão. Então, é uma agressão de um país contra o outro. Essas são as normas para quem já leu os tratados das Nações Unidas”, pontuou.
Para João Edisom, a justificativa apresentada pelos Estados Unidos, de que o ataque teria como objetivo combater o narcoterrorismo, não condiz com a realidade. Conforme o analista, o argumento serve para mascarar o interesse americano nas jazidas de petróleo venezuelanas.
“Quando a gente olha para a questão dos Estados Unidos, eles estão interessados nas riquezas da Venezuela, na questão do petróleo, dos embargos, buscando espaço energético, terras raras [...] Então, a questão do tráfico, se for olhar o México é muito mais do que a Venezuela. A Colômbia é muito, mas nem o México e a Colômbia tem petróleo como tem a Venezuela”, reforçou.
“A justificativa é uma furada. O grande interesse são as maiores jazidas de petróleo que existem no planeta, que está ali na Venezuela e é isso que o Donald Trump está atrás. É uma espécie de pirata do petróleo”, completou.
Sobre o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que na manhã de hoje saiu em defesa de Nicolás Maduro e classificou os ataques dos Estados Unidos como uma afronta inaceitável, João Edisom avalia que a declaração tem mais caráter de preocupação do que de enfrentamento direto.
Segundo o analista, Lula tende a estar realmente preocupado já que os EUA foram capazes de invadir a Venezuela por conta do petróleo, o que também pode acontecer com o Brasil.
“Se uma nação invade a outra por causa das riquezas, nós aqui somos vizinhos na América do Sul. Também temos petróleo, também temos terras raras que eles têm desejo. Até que ponto é aceitável o que está acontecendo? Quem disse que não pode sobrar para a gente? Então, tem que estar preocupado mesmo”, concluiu.







