Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026

03 de Janeiro de 2026, 18h:44 - A | A

Programas / BOMBARDEIO NA VENEZUELA

Analista: Ninguém tem que ter dó do Maduro, mas essa invasão é uma quebra de soberania

O analista explicou que, mesmo diante do golpe evidente e do regime ditatorial implantado no país, a decisão do presidente americano de realizar uma operação militar na Venezuela configura uma violação da soberania nacional.

DO REPORTERMT
METRÓPOLES



Diante do recente bombardeio comandado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Venezuela e da prisão de Nicolás Maduro, ocorrida na madrugada de hoje (3), cresce o debate sobre os interesses americanos e o estopim que culminou na operação militar no país. Segundo o analista político João Edisom, o ataque não deve despertar compaixão pelo presidente venezuelano, porém representa, sim, uma quebra de soberania.

“A gente tem que considerar algumas coisas. A Venezuela é uma ditadura. Na última eleição ficou muito claro que o Maduro não venceu. Ele ficou no poder. É um golpe, maculou o processo eleitoral”, afirmou.

 

“Ninguém tem que ter pena ou ter dó do Maduro, isso é um outro problema”, acrescentou.

 

 Ao , o analista explicou que, mesmo diante do golpe evidente e do regime ditatorial implantado no país, a decisão do presidente americano de realizar uma operação militar na Venezuela configura uma violação da soberania nacional. Segundo ele, trata-se de uma afronta ao princípio do direito internacional que reconhece a autoridade e a independência de um governo sobre seu território.

 

 “O que está acontecendo é um afronte de uma nação contra outra. É uma invasão mesmo, é uma quebra de soberania. Existiam várias outras formas de resolver a questão do Maduro, também teria como derrubá-lo do poder sem necessariamente fazer esse tipo de invasão. Então, é uma agressão de um país contra o outro. Essas são as normas para quem já leu os tratados das Nações Unidas”, pontuou.

Para João Edisom, a justificativa apresentada pelos Estados Unidos, de que o ataque teria como objetivo combater o narcoterrorismo, não condiz com a realidade. Conforme o analista, o argumento serve para mascarar o interesse americano nas jazidas de petróleo venezuelanas.

“Quando a gente olha para a questão dos Estados Unidos, eles estão interessados nas riquezas da Venezuela, na questão do petróleo, dos embargos, buscando espaço energético, terras raras [...] Então, a questão do tráfico, se for olhar o México é muito mais do que a Venezuela. A Colômbia é muito, mas nem o México e a Colômbia tem petróleo como tem a Venezuela”, reforçou.

“A justificativa é uma furada. O grande interesse são as maiores jazidas de petróleo que existem no planeta, que está ali na Venezuela e é isso que o Donald Trump está atrás. É uma espécie de pirata do petróleo”, completou.

Sobre o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que na manhã de hoje saiu em defesa de Nicolás Maduro e classificou os ataques dos Estados Unidos como uma afronta inaceitável, João Edisom avalia que a declaração tem mais caráter de preocupação do que de enfrentamento direto.

Segundo o analista, Lula tende a estar realmente preocupado já que os EUA foram capazes de invadir a Venezuela por conta do petróleo, o que também pode acontecer com o Brasil.

“Se uma nação invade a outra por causa das riquezas, nós aqui somos vizinhos na América do Sul. Também temos petróleo, também temos terras raras que eles têm desejo. Até que ponto é aceitável o que está acontecendo? Quem disse que não pode sobrar para a gente? Então, tem que estar preocupado mesmo”, concluiu.

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