ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER
Em entrevista ao Conexão Poder, o deputado federal Coronel Assis (PL) comentou que cenário da segurança pública no Brasil caminha para um estágio crítico de barbárie, traçando um diagnóstico sobre a expansão das facções criminosas, que hoje já não se limitam ao mercado de entorpecentes, mas avançam sobre a estrutura política e a economia do cotidiano do cidadão brasileiro.
Para Assis, o Estado brasileiro tem adotado uma postura de negação diante do fortalecimento financeiro de grupos como o PCC, que movimentam bilhões de dólares.
"É uma ingenuidade nós acharmos que isso não aconteça", afirmou o deputado ao ser questionado sobre o patrocínio de facções a candidatos em anos eleitorais.
O deputado explicou que as organizações perceberam que o mercado de consumo legal é muito mais abrangente que o de drogas ilícitas.
"Quantos usam a internet? Os dez. Quantos compram garrafão de água? Os dez. Quantos precisam do serviço de transporte na região onde ele mora? Os dez. O vagabundo já entendeu", pontuou. Ele citou exemplos reais de investigações em Mato Grosso onde criminosos tentaram extorquir invasadores de água e relatos de que o comércio local em certos bairros já vive sob o regime de taxas de "proteção".
"Eu quero que você me pague para eu te proteger de mim mesmo. É um absurdo", lamentou.
O deputado alertou sobre o futuro da segurança pública, utilizando o termo "mexicanização" para descrever o nível de crueldade que tem se tornado comum para manter o controle territorial. Segundo ele, os crimes bárbaros vistos hoje não são isolados, mas uma ferramenta de poder.
"Nós iremos passar por uma próxima fase da violência criminal que se chama mexicanização da violência. Pessoas sem cabeças, esquartejadas (...) para mostrar a demonstração do poder, fazendo aquela situação da manutenção do mito da violência", explicou Assis. Para o parlamentar, a crueldade serve para impor o controle social através do medo, consolidando a instalação definitiva dessas organizações no tecido social brasileiro.
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