Sexta-feira, 27 de Março de 2026

24 de Março de 2026, 16h:02 - A | A

Programas / DESPREZO AO FEMININO

Delegada aponta indícios que evidenciam ódio à mulher nos crimes do assassino de Itaúba

Delegada comentou que, neste primeiro momento, a série de ataques contra mulheres em Itaúba configura feminicídio por menosprezo à condição feminina e objetificação das vítimas..

ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER



Em entrevista ao Conexão Poder, a delegada da titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, Judá Marcondes, apontou que as evidências de uma sequência de crimes violentos registrada ao longo desse domingo sugerem uma motivação baseada em ódio e desprezo à condição feminina. O caso, que envolveu estupro, tentativas de homicídio e uma colisão fatal, é citado como um exemplo da aplicação da qualificadora de feminicídio fora do contexto doméstico.

O autor dos ataques vitimou três mulheres em episódios distintos em Itaúba (a 581 km de Cuiabá). No primeiro, uma vítima de estupro sobreviveu após fingir-se de morta. No segundo, o suspeito atropelou uma jovem de 15 anos, que conseguiu fugir. No terceiro evento, após atropelar e deixar uma mulher desacordada, o agressor a colocou em seu veículo e colidiu frontalmente com um caminhão; ambos morreram no local. Embora as investigações indiquem que as vítimas não possuíam relação entre si, a delegada destaca que o alvo comum, mulheres, revela a natureza do crime.

De acordo com Marcondes, o feminicídio se caracteriza por duas circunstâncias principais, a violência doméstica e o menosprezo à condição de mulher. No caso de Itaúba, no interior de Mato Grosso, a segunda categoria seria a predominante.

“O ódio à mulher, é o ódio, é a misoginia criada até por discursos redbill, o ódio, aversão, menospreso à mulher. O feminicídio tem duas categorias, uma que é de violência doméstica e familiar, a outra é o ódio e desprezo, menosprepreso à mulher”, explicou a delegada.

Ela ressaltou que a escolha do crime de estupro e a brutalidade das ações reforçam essa tese.

Todo crime que reduz um ser humano a um objeto, você está  tendo um ódio e desprezo à mulher e também quando aquele crime é severo, muita brutalidade à  mulher também, a gente percebe que também ali há um desprezo à mulher”.

Ao avaliar o perfil do agressor, a delegada mencionou a influência de discursos que buscam uma suposta superioridade masculina, muitas vezes mascarando sentimentos de inferioridade.

“Esse menino provavelmente tinha dentro de si esse pensamento ou se sentindo na verdade inferiorizado. Porque na verdade esse discurso redpill, esse pensamento de ter que se sentir superior, você precisar falar isso, porque na verdade existe uma masculinidade muito frágil nessas pessoas. As pessoas se sentem na verdade muito inferiorizadas em relação à mulher, por isso pratica essas violências nesses discursos de superioridade”, pontuou.

A delegada concluiu que, embora não possa detalhar o histórico pessoal do autor, a recorrência e o método dos ataques apontam para uma motivação interna latente.

“Provavelmente, dentro dele, existia muito ódio, aversão, ele se sentiu inferior às mulheres, por isso que ele fez aquilo, tudo é porque dentro de si existia esse ódio”.

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