Domingo, 05 de Abril de 2026

05 de Abril de 2026, 09h:00 - A | A

Programas / TRANSFOBIA

 Delegada de Defesa da Mulher alerta: "O feminino é desprezado na sociedade machista"

Judá Marcondes explicou que, na visão de agressores, o fato de uma mulher trans "abandonar" o papel masculino é visto como uma afronta à suposta superioridade do homem.

ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER



Em entrevista ao Conexão Poder, a delegada da titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, Judá Marcondes,  comentou sobre a violência contra mulheres trans e a necessidade de um acolhimento humanizado na segurança pública. Ela destacou como a estrutura patriarcal da sociedade brasileira ainda enxerga o feminino como algo "inferior", refletindo-se em altos índices de criminalidade contra essa população.

Judá explicou que a transfobia é uma extensão direta do machismo. Ela argumentou que, na visão de agressores, o fato de uma mulher trans "abandonar" o papel masculino é visto como uma afronta à suposta superioridade do homem.

"O feminino é desprezado na sociedade patriarcal, o que é feminino é desprezado, é, na verdade, considerado inferior então se ele deixa de ter aquele perfil do que é ser homem, então ele deixa passou a ser mulher, inclusive muitos só porque a pessoa tem orientação sexual diferente já coloca como se fosse mulher e mulher é negativo. E a mulher trans, ela nasce dessa forma, então ela deixa de ser homem e passa a ser mulher. Para esses homens, é um absurdo, como assim você deixa de querer ser como nós? É como se fôssemos superiores e passa a ser mulher, um ser inferior, algo de segunda classe, isso é  inadmissível" , comentou.

A delegada também abordou a complexidade de discutir esses temas em uma sociedade majoritariamente cristã. Segundo ela, é preciso cautela para promover o diálogo sem gerar rupturas que impeçam a reflexão necessária sobre direitos civis e respeito.

Na entrevista, Judá reforçou que, embora Mato Grosso esteja avançando no atendimento especializado, o combate ao preconceito e à violência ainda enfrenta barreiras estruturais profundas que exigem mais do que apenas tolerância: exigem compreensão e garantia de direitos.

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