ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER
Em entrevista ao Conexão Poder, a delegada da titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, Judá Marcondes, comentou que o feminicídio muitas vezes não é precedido por tapas ou empurrões, mas sim por um processo destrutivo de invalidação emocional. Ela citou dados de uma pesquisa realizada em 2023 pela rede de enfrentamento, que analisou casos de feminicídio no estado. O resultado aponta que, na maioria das ocorrências, as vítimas não apresentavam histórico de violência física, mas eram vítimas constantes de abuso psicológico.
"Muitos dos feminicídios que ocorrem, muitas das vezes esse homem nunca agrediu essa mulher. A maioria dos casos, as mulheres não sofreram violência física, sofreram violência psicológica. Eu sempre falo que a violência psicológica é um agente facilitador para as outras violências, porque retira da mulher a percepção da realidade", afirmou Judá.
A delegada detalhou como o abusador ataca justamente as virtudes da vítima para minar sua autoestima.
"O homem abusivo ele analisa o que a mulher tem de melhor, ele começa a dizer: 'Você tá perdendo tempo, que que adianta você ler, parece que você não sabe nada, você não sabe nem falar, por que que você lê, né?'. Então, ele começa a desacreditar naquilo mesmo porque esse homem no início ele é muito romântico, então ela começa a perder a percepção de quem é ela, do que ela gosta", citou.
A manipulação chega ao ponto de fazer com que a vítima se sinta responsável pelas agressões verbais ou pelo controle excessivo do parceiro. Segundo a delegada, o agressor justifica suas condutas como "excesso de amor" ou ciúmes, e a mulher, com a percepção distorcida, acaba se convencendo de que a culpa é sua.
Como forma de prevenção, Judá Marcondes reforça que o autoconhecimento e a terapia são fundamentais para que a mulher consiga identificar a tentativa de desvalidação antes que o ciclo evolua para crimes mais graves.
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