ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER
Em entrevista ao Conexão Poder, a delegada da titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, Judá Marcondes, detalhou as diversas formas de violência enfrentadas pelas mulheres. Além das cinco categorias tradicionalmente conhecidas, a autoridade policial destacou outras quatro modalidades que compõem o quadro de agressões no Brasil.
A delegada citou a violência vicária, que ocorre quando o agressor utiliza os filhos para atingir a mãe.
"Através dos filhos ele pratica a violência, o dano emocional na mulher", acrescentou.
Outro ponto abordado foi a violência obstétrica, que Judá define como o desrespeito ao momento do parto.
"Cortes são feitos, manobras são feitas sem conversar, sem a permissão da mulher, desrespeitando inclusive machucando a mulher, não permitindo que na hora do parto ela grite", afirmou. Ela relatou ainda casos extremos de "violência sexual neste momento que ela está dando a luz".
A delegada também alertou para a violência institucional, que pode ocorrer dentro do sistema de justiça ou segurança. Segundo Marcondes, o Supremo Tribunal Federal (STF) proíbe que, durante interrogatórios, o homem ou seus familiares difamem a vítima.
"Incide em violência institucional se a gente permitir que esse homem fale mal da mulher durante o interrogatório sobre a vida pregressa", explicou, reforçando que o "atendimento qualificado é imprescindível para que não haja a violência institucional".
A delegada mencionou a violência política de gênero, destacando a relevância do tema em anos eleitorais. Ela apontou que mulheres na política, muitas vezes, não recebem o incentivo necessário ou têm suas falas interrompidas. "Se ela foge dessa lógica de dominação, eles praticam a violência falando da sua aparência física, do seu comportamento", concluiu.
Veja vídeo:
Veja vídeo na íntegra:




