Domingo, 15 de Março de 2026

14 de Março de 2026, 16h:34 - A | A

Programas / CONFLITO

Especialista alerta: uso da força no Irã tende a aumentar a radicalização na região

Professor Luiz Antonio P. Valle analisou por que a estrutura teocrática do Estado iraniano torna a mudança de regime um processo improvável.

ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER



Em entrevista ao Conexão Poder, o especialista em geopolítica e inteligência, professor Luiz Antonio P. Valle, do canal Xeque Mate Global, comentou sobre a complexidade da estrutura de poder no Irã e os limites do uso da força militar como ferramenta de transformação política. Para o analista, a visão de que ataques externos poderiam desestabilizar o governo iraniano ignora a solidez ideológica que sustenta o regime desde o final da década de 1970.

O especialista destacou que o comprometimento das forças de segurança iranianas ultrapassa o patriotismo, é vinculada a uma perspectiva de salvação espiritual, o que torna a estrutura governamental extremamente resiliente a pressões externas.

"O militar que está lá, o cara da Guarda Revolucionária, os policiais, não é uma questão de patriotismo só. Ele não está pensando ah, o meu salário, ah, o Irã. Ele está pensando o seguinte, se eu não for leal aos aiatolás, eu não vou para o céu, digamos assim, fazendo uma aproximação para o cristianismo. Então é algo mais profundo, muito sólido, muito firme. Então essa mudança de regime de lá, ela é algo extremamente difícil de ser feito, porque há uma crença religiosa, solidificada, que sustenta o governo."

Valle questionou a eficácia de estratégias que utilizam o bombardeio como meio diplomático. Ele argumenta que a violência tende a produzir o efeito oposto ao desejado, resultando em maior radicalização tanto dentro do Irã quanto nos países árabes vizinhos.

"Essa visão do Trump, que também é uma narrativa, que é colocada de que pelo uso da força que vai se chegar a paz, isso não se sustenta em nenhuma experiência humana. Porque quanto mais aquele que está sofrendo o bombardeio sofre e mais radicalizado ele vai ficar, e aí no caso é pior. Não é só eles que vão ficar radicalizados, já estão. Todos os outros países árabes e muçulmanos vão ter grupos radicalizados", afirmou o professor.

Veja vídeo:

Veja entrevista na íntegra:

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