ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER
Em entrevista ao Conexão Poder, o presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo, comentou que a expansão da malha ferroviária em Mato Grosso não representa ameaça ao setor de transporte rodoviário, mas sim uma reorganização logística necessária para aumentar a competitividade regional. Vuolo defendeu a integração entre o trem e o caminhão como estratégia para otimizar o escoamento da produção e melhorar as condições de trabalho dos motoristas.
Segundo Vuolo, o modelo logístico brasileiro atual, excessivamente dependente das rodovias para longos trajetos, contraria a lógica global de transporte.
"O que vai à fazenda pegar a carga não é o trem, o que vai à fazenda pegar a carga é o caminhão. Agora o que cumpre longas distâncias no mundo inteiro não é o caminhão, o que cumpre longa distância é o trem", explicou.
Ele defende que cada modal cumpra seu papel: o trem para percursos de longa distância, como o trajeto até os portos de Santos (SP) ou Paranaguá (PR), e o caminhão para curtas e médias distâncias.
Para o presidente do Fórum, essa mudança trará benefícios diretos aos caminhoneiros, incluindo maior qualidade de vida e segurança, ao reduzir a necessidade de viagens exaustivas por rodovias.
"Vai fomentar ainda mais o trabalho dele, vai dar a ele mais segurança para trabalhar, porque você quando faz uma viagem longa normalmente eles usam determinados subterfúgios para poder cumprir determinadas missões que eles fazem na estrada e você fazendo curta distância, não há necessidade de você entrar nesse viés", pontuou.
Vuolo utilizou o exemplo do terminal intermodal de Rondonópolis para ilustrar como a ferrovia impulsiona a demanda rodoviária local. Ele destacou que o terminal movimenta entre 2 e 3 mil caminhões diariamente, que realizam viagens curtas para abastecer os vagões.
Além da eficiência logística, Francisco Vuolo ressaltou o papel social do modal.
"A ferrovia planta cidades, ela é um indutor do desenvolvimento", afirmou, citando o impacto esperado não apenas em Cuiabá, mas em toda a Baixada Cuiabana, ao criar novos eixos estruturantes e integrar economicamente o estado.
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