Sábado, 25 de Abril de 2026

24 de Abril de 2026, 10h:10 - A | A

Programas / PEDOFILIA ESTRUTURAL

"Há uma cultura do estupro no Brasil: é música, é foto", alerta advogada

Thais Brazil destacou que padrões estéticos impostos às mulheres brasileiras reforçam a pedofilia estrutural.

ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER



Em entrevista ao Conexão Poder, a advogada Thais Brazil, comentou que o Brasil lidera ranking de casamento infantil sob cultura de objetificação e violência, alertando sobre os altos índices de uniões precoces no país e a estrutura social que sustenta essa prática. Segundo a especialista, o fenômeno não é isolado, mas fruto de uma "cultura do estupro" que busca a dominação e a infantilização da mulher.

Mesmo com o respaldo de leis protetivas consideradas avançadas, o Brasil enfrenta números alarmantes. Thais destacou que essas uniões são formas de violência camufladas pela sociedade.

"A criança menina é violentada de diversas formas diferentes, desde o seu nascimento. E o casamento infantil, o Brasil é um dos países com maiores números de casamento infantil mesmo a gente tendo uma legislação que protege as crianças que é muito boa", lamentou.

Para a advogada, a manutenção desse cenário absurdo passa pela "naturalização da violência junto com ideias pedófilas, com ideias da mulher como serviçal daquela casa".

 A especialista também provocou a sociedade sobre a hipocrisia em relação a casos de grande repercussão midiática.

"Não adianta nada criticar o caso lá do P Diddy (rapper), que a sociedade fica revoltada, que é revoltante, se eu tô cantando a música da 'novinha' ou se eu tô passando pano para uma situação que acontece na minha cidade", observou.

Thais alerta para padrões estéticos impostos às mulheres brasileiras, que, segundo ela, reforçam a pedofilia estrutural. Ela aponta que o padrão de beleza buscado é, muitas vezes, o de um corpo infantil.

 "Há uma cultura do estupro no Brasil: é música, é foto. O padrão de beleza para a mulher no Brasil é um padrão de criança. A pele, o corpo, observem isso, eu sei que isso é pesado de ouvir talvez, mas é um fato. Nos querem infantilizadas psicologicamente, fisicamente, nos querem violentando o nosso próprio corpo", alertou.

A entrevista também abordou a atuação do sistema de justiça em casos de violência sexual e uniões com menores. Thais mencionou episódios em que decisões judiciais parecem "revalidar" a violência sofrida pelas vítimas e enfatizou que a reversão de decisões polêmicas muitas vezes só ocorre devido ao clamor público, destacando a importância da movimentação social para que casos de abuso não passem "batidos".

Veja vídeo:

 
 
 
Veja a entrevista na íntegra:

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