Segunda-feira, 27 de Abril de 2026

26 de Abril de 2026, 11h:24 - A | A

Programas / MERCADO DE TRABALHO

Inteligência artificial deve servir às pessoas e não substituí-las, defende desembargadora

Magistrada aponta que o uso da tecnologia deve ser guiado pela ética e pelo princípio da centralidade do ser humano para evitar a reprodução de injustiças sociais.

ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER



 Em entrevista ao Conexão Poder, a desembargadora Adenir Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT), alertou sobre o crescimento da inteligência artificial (IA) no cotidiano institucional e corporativo. Para a magistrada, o perigo reside na natureza dos algoritmos, que podem replicar distorções já existentes na sociedade.

"Deixar uma máquina decidir, tomar decisão, é uma coisa perigosíssima, principalmente na minha atividade. Nós podemos utilizar a Inteligência Artifical sim, mas tem todo um código de ética para utilizar essa Inteligência artifical. Mas jamais ela pode substituir a decisão em si. A decisão tem que ser sempre de um ser humano".

 O diagnóstico estende-se ao setor empresarial, especialmente em processos de recrutamento e seleção automatizados. A desembargadora observa que, ao analisar históricos de contratações anteriores, a máquina tende a reproduzir padrões excludentes.

"Ela automaticamente reproduz preconceito, por exemplo, preconceito de gênero. Então tem que ter uma pessoa que vai conduzir a máquina, a mãquina tem que ser conduzida por pessoas".

No contexto do agronegócio e da substituição de postos de trabalho por máquinas, Carruesco lembra que a proteção do trabalhador contra a automação é um princípio constitucional. Ela defendeu a necessidade de políticas públicas de requalificação diante do avanço tecnológico.

"Não é uma questão de você trazer automação em geral que vai multiplicar os lucros e o trabalhador que se vire. Tem que ter um projeto do governo: como é que eu vou requalificar, vou recolocar essa pessoa no mercado de trabalho?", questionou a magistrada.

Para a desembargadora, o valor de qualquer evolução tecnológica, bem como do Direito e da comunicação, está condicionado à sua utilidade para o bem-estar social.

"Tudo o que a gente fala na vida, tudo está para servir o homem. O direito é uma coisa que foi inventada para proporcionar uma vida em sociedade, para que a gente tivesse qualidade de vida, para que a gente fosse mais feliz. Se qualquer coisa não servir esse propósito de valorizar a dignidade da pessoa humana, não serve para nada".

Veja vídeo:

 
Veja entrevista completa:

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