ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER
Em entrevista ao Conexão Poder, a advogada Thais Brazil classificou o chamado movimento "Red Pill" como uma ameaça estrutural grave e bem articulada, com potencial para retroceder décadas de avanços sociais. Para a advogada, o movimento não é apenas uma tendência passageira de internet, mas um sistema organizado com alvos específicos.
"O movimento redpill é uma das piores coisas que eu já acessei assim na última década. É um movimento organizado, é um movimento perigosíssimo e acima de tudo é um movimento que tem como público principal a nossa juventude incluindo as crianças", afirmou Thais.
A professora e mestre em direito expressou preocupação com o futuro das estatísticas de violência doméstica e de gênero no país. Segundo ela, a doutrinação que a população jovem masculina está recebendo atualmente é mais nociva do que a educação machista de gerações anteriores.
"Se continuar do jeito que está vai piorar. Está difícil acreditar. O que essa população jovem masculina está aprendendo atualmente é muito pior do que aquele que é adulto hoje em dia aprendeu atrás, muito pior", ressaltou.
A especialista explica que o perigo reside na forma como esse conteúdo é entregue. Muitas vezes, o discurso misógino é camuflado sob pretextos morais ou de cuidado, o que dificulta a percepção imediata do preconceito.
"Principalmente porque traz essa veste, essa roupagem de opinião, muitas vezes de preceitos que parecem ser religiosos, de preceitos que parecem ser para a proteção da mulher, mas que é pensado pelos homens".
A advogada questionou a legitimidade de grupos masculinos tentarem ditar o comportamento e o papel social das mulheres. Ela aponta que o movimento busca retomar um poder de decisão sobre a autonomia feminina que não lhes pertence.
"Que resposta é essa de um projeto de vida que a mulher deve ter que são os homens que estão definindo sobre os nossos corpos, vida, rotina, filhos, enfim".
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