ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER
A delegada da titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, Judá Marcondes, destacou o papel central da família, amigos e instituições religiosas no enfrentamento à violência doméstica. Com base em pesquisa, ela reforçou que a denúncia formal à Polícia Civil é frequentemente precedida por pedidos de ajuda em círculos sociais e familiares.
"As mulheres que sofrem violência, a maior parte delas procura a família e procura também a igreja, mais do que a polícia civil mais do que os órgãos de proteção", comentou.
A delegada defende que o feminicídio raramente ocorre sem sinais prévios que possam ser detectados por pessoas próximas.
"Todo feminicídio é um crime anunciado. A família sabe, a família percebe o isolamento, a família percebe a mudança de comportamento, a família percebe as lesões", afirmou.
Para a delegada, quem recebe esses relatos assume uma função estratégica no processo de interrupção do ciclo de violência.
"Essa pessoa tem a responsabilidade de conscientizar essa mulher a procurar a polícia civil", pontuou.
Marcondes também alertou que é comum que o homem tente reverter a situação perante a rede de apoio da mulher.
"Muitas das vezes, ela procura a polícia, esse homem se faz de vítima, procura a rede de apoio dela se fazendo de vítima, falando que a culpa é dela", explicou.
A autoridade policial criticou a visão social que reduz o conceito de "homem de bem" apenas ao papel de provedor ou trabalhador. Segundo Judá Marcondes, é necessário um novo modelo de educação para jovens, focado na lealdade e no respeito mútuo.
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