ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER
Em entrevista ao Conexão Poder, a delegada da titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, Judá Marcondes, comentou que diferente do senso comum que muitas vezes associa a violência doméstica apenas a camadas mais vulneráveis da sociedade, o perfil das vítimas é universal.
"Falo que a violência doméstica ela é severamente democrática, atinge todas as classes sociais, todos os níveis de conhecimento, de escolaridade. São mulheres que não sabem escrever e mulheres pós-graduadas com doutorado. Nós atendemos todas as mulheres", citou.
Segundo a delegada, a violência psicológica encontra terreno fértil em uma construção cultural que molda as mulheres desde a infância para buscarem aceitação masculina a qualquer custo.
"A violência psicológica ela tem um reforço na nossa cultura porque as mulheres são fomentadas desde novinhas a ter um perfil do que é ser mulher. Então esse homem, quando ele pratica violência, ele vai nesse perfil. E ela, para poder ser aceita por aquele homem, porque ela é educada desde nova a ser aceita por esse homem, a ser escolhida por um homem, ela acaba aceitando aquelas condutas para ser encaixada num padrão do que ser a mulher perfeita", explicou.
Judá Marcondes relembrou um caso emblemático envolvendo um oficial da Polícia Militar para ilustrar como o controle se manifesta através da imposição de papéis de gênero rígidos e desumanizadores.
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"Nós tivemos um caso, aquele caso daquele tenente-coronel que matou a mulher, ele falando: 'eu quero que você siga esse padrão, eu sou o macho alfa e você é a fêmea beta, submissa'. O que quer dizer com isso? Siga o padrão de ser mulher, seja submissa, você está sob meu controle", citou.
A delegada ressalta que mesmo mulheres com independência financeira e autoridade em suas profissões podem permanecer anos em relações abusivas.
O enfrentamento a essa realidade, segundo a titular da Delegacia da Mulher, passa pela educação e pelo resgate da dignidade humana prevista na Constituição Brasileira, que garante liberdade e autodeterminação.
" Nós temos que educar nossas mulheres, adultas, crianças, todas as mulheres a ter a certeza de quem ela é e procurar parcerias, homens que sejam parceiros, relações recíprocas, não um dominando o outro. Isso não dá certo. Nós somos seres humanos independentes".
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Confira a entrevista na íntegra:





