28 de Dezembro de 2019, 20h:00 - A | A

Repórter MT / RETROSPECTIVA

Após 2 anos, esquema da Grampolândia teve primeira condenação em 2019

RAUL BRADOCK
DA REDAÇÃO



O esquema de escutas telefônicas clandestinas, conhecido como Grampolândia Pantaneira, foi dos casos mais complexos já analisados pela Polícia Civil e pelo Judiciário em Mato Grosso e deixou o ano de 2019 marcado pela primeira condenação dos envolvidos.

Após 2 anos e 5 meses da denúncia do esquema, em maio de 2017, a Justiça condenou, em novembro de 2019, o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa, a 8 anos de prisão.

Zaqueu é apontado como um dos líderes do escritório de escutas clandestinas, montado em Cuiabá. O beneficiário do esquema, conforme os réus, seria o ex-governador Pedro Taques (PSDB), que teria usado a estrutura para interceptar personalidades e adversários políticos para obter vantagem nas eleições de 2014. Coronel Zaqueu foi nomeado comandante-geral da Polícia Militar na gestão Taques.

Retomada das investigações

Outro ponto marcante, este ano, em relação ao escândalo dos grampos, foi a retomada das investigações por parte da Polícia Civil. Uma força-tarefa foi montada no Complexo Miranda Reis, em Cuiabá, para investigar exclusivamente o caso e segue coordenada pelas delegadas Ana Cristina Feldner (linha dura) e Jannira Laranjeira.

Prisão de ex-secretário

A força-tarefa, inclusive, mostrou resultados meses após a instalação, com o pedido de prisão contra do delegado e ex-secretário de Estado de Segurança Pública Rogers Elizando Jarbas.

Rogers é acusado de obstruir as investigações do caso por 24 vezes. O pedido de prisão não foi aceito, porém, o investigado passou, pela segunda vez, a usar tornozeleira eletrônica por determinação do juiz Jorge Luiz Tadeu, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Conforme noticiado pelo @#reportermt, as ivestigações revelaram que Rogers Jarbas só se tornou secretário para ‘blindar’ líderes dos grampos.  A força-tarefa também identificou que ele figura em 5 de 7 inquéritos ,que tratam da Grampolândia Pantaneira.

Cabe ressaltar que Jarbas foi preso, pela primeira vez, na deflagração da Operação Esdras. Ele é acusado de participar de uma trama para filmar o desembargador Olando Perri, que investigava os grampos na época. Ele se aposentou também em 2019, aos 45 anos, dias antes do segundo mandado de prisão em relação ao caso.

Escutas ilegais

Conforme denúcia e confissão de militares, um escritório de escutas clandestinas foi montado em Cuiabá, inicialmente, a mando do ex-governador Pedro Taques. O objetivo inicial seria obter vantagem nas eleições para o Governo do Estado no ano de 2014.

Taques venceu o pleito e, coincidentemente, nomeou o coronel Zaqueu Barbosa para o comando geral da PM. Zaqueu seria o 'testa de ferro' do escritório e teria colocado policiais militares para operar o esquema.

O problema aumentou quando o escritório passou a fazer interceptações com outras intenções. Centenas de pessoas tiveram a intimidade violada, como advogados, políticos, jornalistas e até a amante do então chefe da Casa Civil, Paulo Taques.

As investigações também levaram à prisão de oficiais de alta patente da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso e apontaram um grandioso esquema de escutas ilegais, que teria interceptado mais de 800 conversas.

Conforme apurado, os telefones foram grampeados com autorização da Justiça por meio de uma técnica denominada “barriga de aluguel”, que é quando não investigados são inclusos em uma lista de pedidos de interceptação autorizada por magistrados.

Investigações seguem em andamento na Polícia Civil e processos, que tratam do caso, também tramitam tanto na Justiça Militar, quanto na comum. Processos administrativos também são apurados no âmbito da corregedoria da Polícia Militar.

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