26 de Junho de 2020, 11h:25 - A | A

Repórter MT / PANDEMÔNIO

Maluf aponta ações "politiqueiras" e defende hospital de campanha

Durante live, presidente do TCE defendeu a adoção de isolamento mais radical, mas deixou claro não ser a favor da interferência da Justiça

RAFAEL MACHADO
DA REDAÇÃO




O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), conselheiro Guilherme Maluf, defendeu a adoção de medidas mais técnicas para o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus (covid-19). Durante uma live, nesta quinta-feira (25), com o presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (DEM), e com o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios, Neurilan Fraga (PL), Maluf disse que as questões políticas devem ser deixadas de lado e os esforços devem ser concentrados na adoção de protocolos para tratamentos de pacientes com a doença.

Durante a conversa, Maluf disse que é defensor da distribuição de medicamentos para os municípios, no entanto, frisou que é contra a doação de remédios de forma politiqueira. O conselheiro comentou que recebeu a informação que a Secretaria de Estado de Saúde adquiriu medicamentos para atender a demanda das unidades básicas de saúde, mas destacou que os remédios só devem ser disponibilizados à população com receita médica.

"Os municípios têm que dar essa logística de distribuição, inclusive, porque os municípios têm seus médicos e podem enviar a receita e não simplesmente dar remédio de uma forma politiqueira, sem ao menos saber o protocolo exato de uma doença pouco conhecida. Vamos distribuir remédio, vamos, mas vamos respeitar o pilar do SUS (Sistema Único de Saúde) que é a assistência farmacêutica. O Tribunal de Contas vai fazer o seu papel. Nós estamos mudando um pouquinho nossa força-tarefa para verificar se os remédios vão chegar às unidades de saúde", disse.

O presidente do TCE comentou que é necessário tirar o foco apenas da questão de leitos de UTI e concentrar atenção na assistência farmacêutica. Durante conversa na live, Maluf defendeu também a centralização dos leitos de UTI. Ele explica que não adianta 'turbinar' o interior sendo que não há capacitação dos profissionais.

"Eu acho que nesse momento de pandemia, infelizmente, não dá para pensar nisso, porque nós não temos equipes multidisciplinares para tratar uma doença complicada como a covid nos municípios de Mato Grosso. Então, não adianta abrir uma UTI no Araguaia e turbinar o número de leitos. Sabe o que vai acontecer? A ineficiência, ou seja, não tem a capacitação dos profissionais de saúde", ressaltou.

Isolamento

Sobre a adoção de isolamento social, o conselheiro disse que a medida é importantíssima para conter o contágio do vírus, mas que a decisão deve ser do município.

"Eu acho que tem que ser municipalizado, dependendo de município para município, tenho uma preocupação sim com a interferência do judiciário que quer tratar todo mundo igual, mas cada município tem uma realidade".

Telemedicina

Guilherme Maluf ainda defendeu a adoção de telemedicina. Segundo ele, a ferramenta tecnológica pode melhorar o nível das UTIs no interior, além de levar atendimento médico de diversas especialidades.

"Ela precisa ser prioridade [telemedicina], mas volto a dizer que centralizar os leitos de UTI de uma forma lógica, que o Poder Público tem que tomar essa decisão, não é o Tribunal de Contas que vai fazer isso é o governador junto com os prefeitos e com o apoio da Assembleia. Mas, nós temos pessoas capacitadas em Cuiabá e Várzea Grande, os municípios têm direito, lógico que têm direito, mas é um momento em que vamos ter recursos escassos, grandes demandas e não dá para fazer política nesse momento, nesse momento a decisão tem que ser técnica", defendeu.

Hospital de campanha

O presidente do TCE destacou também a necessidade da instalação de um hospital de campanha na região metropolitana. Ele comentou que os leitos de UTI na rede privada estão colapsados, como na rede pública, e o tema deve ser discutido entre o Legislativo e o governador Mauro Mendes (DEM), que já demonstrou ser contra a medida.

"A rede privada está superlotada, não tem como pegar leito de lugar nenhum, eu acho que é algo que a Assembleia vai ter que pensar e levar essa discussão com o governador. Não é uma medida boa para se discutir porque isso o governador já mostrou sua competência quando fez o Metropolitano, mas infelizmente a doença foi mais forte e está se mostrando ineficiente essa medida", disse.

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