01 de Janeiro de 2020, 16h:28 - A | A

Repórter MT / QUER LIMITAR A PESCA

Mauro: Pantanal tem potencial gigante, mas visitação é ridícula

O governador argumenta que falta peixe na região e por isso defende a limitação da pesca no Estado, por cinco anos.

RAFAEL MACHADO
DA REDAÇÃO



Em defesa da proposta do governo que regulamenta as atividades pesqueiras no Estado, que popularmente ficou conhecida como Cota Zero, o governador Mauro Mendes (DEM) classificou como ridícula a visitação turística do Pantanal Mato-grossense, perto do que a região poderia ter se tivesse mais peixes.

O projeto causou bastante polêmica em 2019, a previsão era de que fosse aprovado em dezembro, no entanto, devido à falta de estudos e acúmulo de pautas na Assembleia Legislativa, a votação ficou para 2020.

Em conversas com jornalistas sobre o balanço de sua gestão, o governador Mauro Mendes argumentou o projeto propõe a suspensão de transporte e comercialização de peixes nativos por cinco anos, no entanto, explica que isso não proíbe a população de pescar na beira do rio.

"Não estamos proibindo que ninguém vá à beira do rio e pesque, inclusive o ribeirinho pode comer o peixe na beira do rio. Inclusive o cidadão que for acampar na beira do rio pescar, pode comer. O que nós estamos proibindo é o transporte de pesca e a comercialização", reiterou.

Segundo o governador, há estudos que demostram que 90% do peixe que é consumido no Estado é oriundo da piscicultura comercial.

Ele ainda destacou que o projeto fomentará o turismo em Mato Grosso. O governador citou dados da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), que mostram que cerca de 100 mil brasileiros vão à Argentina para pescar.

"O turismo, todo mundo sabe, aqui que é a grande indústria nesse novo século. Muita gente aposentando, muita gente querendo andar o mundo, muita gente querendo conhecer coisas exóticas, diferentes. Nós temos um Pantanal, aqui, com grande potencial e é ridícula a quantidade de gente que nós recebemos aqui em termo de turista", comentou.

"Ouço muitos dizerem que 'eu fui pescar e não peguei nada', quem já não ouviu essa frase? 'Fui pescar e não peguei nada'.Então nós queremos o quê? Deixar acabar tudo. Precisamos tomar providência enquanto há tempo, enquanto tem um pouco de peixe para tomar essa providência e ativar essa cadeia do turismo tão gigantesca para gerar empregos", reforçou.

Ele disse que o governo está disposto a fazer alterações no projeto, mas reforçou que a medida precisa ser implementada no Estado, para preservação dos peixes e fomentação do turismo.

"Então, é uma medida que, claro, causa polêmica. Mas, meus amigos, ninguém faz omelete sem quebrar ovos. Então tem que ter coragem de saber que nós temos um grande potencial que é o nosso Pantanal, mas que sem peixe ele perde enormemente o valor comercial que ele pode ter", declarou.

Estudos

A proposta tem deixado pescadores amadores e pequenos empresários preocupados devido ao impacto social e o colapso financeiro que o projeto pode causar no setor, caso seja aprovada. Por isso, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (DEM) adiou, em dezembro, a votação do projeto e encomendou estudos técnicos sobre o impacto socioeconômico que poderia ser causado.

“A maioria dos deputados, alguns não acham que é o suficiente, outros entendem que é preciso ter dados técnicos, estudos do rio, o que isso vai produzir e esses estudos técnicos não têm. Então agora nós vamos contratar, vamos pegar uma empresa com biólogos, com pessoas especializadas em peixe para fazer um estudo realmente técnico e apresentar aos deputados e eles decidem se vai aprovar ou não”, disse durante entrevista à imprensa, na época.

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