10 de Setembro de 2021, 13h:19 - A | A

Poderes / 7 DE SETEMBRO

Júlio diz que Bolsonaro errou em discurso, mas STF é culpado: “Desanima o povo”

Ex-governador pontuou que Supremo tem tomado decisões que "contrariam" os desejos da população e citou a absolvição de Lula

CAMILLA ZENI
DAFFINY DELGADO




O ex-governador Júlio Campos (DEM) teceu críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelos discursos de 7 de Setembro, que demonstraram radicalismo contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Entretanto, avaliou que o Judiciário tem “exagerado” e contrariado a população brasileira ao absolver corruptos e tentar repreender inocentes.

“É muito ruim a postura do presidente. Tanto é que ele agora nas últimas horas ele retrocedeu depois daquele grande impacto, né? Ele viu que não é por aí. As forças democráticas do país, o Congresso Nacional, o próprio Judiciário e o povo brasileiro, não querem esse de radicalismo”, avaliou Júlio.

Em seu discurso, durante manifestação em São Paulo, Bolsonaro chegou a citar nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o chamou de canalha. Ainda, afirmou que não iria mais cumprir as decisões judiciais que fossem assinadas por ele. Entretanto, dois dias depois, nessa quinta-feira (8), publicou nota se retratando.

Bolsonaro afirmou em sua nota que as falas se deram em razão do calor do momento, diante da população que apoiava suas pautas contrárias ao Supremo. A campanha do presidente contra o STF, aliás, já se arrasta há meses, tendo se acirrado com os andamentos do inquérito das fake news.

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Na visão de Júlio, porém, o Supremo contribuiu para inflar o descontentamento da população e as reações explosivas de Bolsonaro.

“O Supremo Tribunal Federal ajudou nisso. No momento que absolveu o Lula e permitiu que corruptos condenados viessem voltar à tona da política nacional, aí não dá também. Aí chega num tanto que a gente desanima, de ver tanta situação difícil que o Judiciário colocou o Brasil. Bolsonaro toda hora é repreendido, punido e o Lula absolvido em todos processos”, manifestou.

A fala remete às decisões por absolvição do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva tomadas pelo STF nos últimos meses, em razão de vícios processuais. O ex-governador chegou a ironizar a situação, ponderando que, se estivesse com mandato, tentaria santificar Lula.

“O Supremo tem exagerado nas suas decisões e contrariado muito a população brasileira, porque pessoas que talvez não cometeram nenhum crime de corrupção, mas apenas crimes de palavra, estão sendo condenadas. Se eu fosse constituinte, senador, deputado federal, ia propor um projeto de lei pedindo para o Vaticano declarar Lula santificado, porque, do jeito que está no Brasil, o Supremo santificando todos os homens que acabaram com o país durante 14 anos…”, finalizou.

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