09 de Setembro de 2021, 07h:10 - A | A

Poderes / EFEITO 7 DE SETEMBRO

Medeiros: STF está brincando com o fogo, com o povo, e todo mundo tem limite

Deputado federal diz que população percebe ações do Supremo e reage contrária; "Força do povo assusta", diz o parlamentar

CAMILLA ZENI
DA REDAÇÃO




O deputado federal José Medeiros (Podemos-MT), vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, avaliou que o Supremo Tribunal Federal (STF) e políticos oposicionistas ao governo estariam “amedrontados” com a força demonstrada pelo presidente nas manifestações desse 7 de Setembro.

Para Medeiros, o comparecimento da população às ruas foi uma resposta a ministros do Supremo, como Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, de que o povo não coaduna com as ações tomadas por eles.

“Eles estão brincando com fogo. Tanto o Alexandre de Moraes quanto o Barroso e sei lá mais quem, eles estão brincando com fogo, com o povo, e com o povo não se brinca. Podem até brincar com político, que tem sangue de barata, que transige sobre tudo. O presidente Bolsonaro tem arrastado a bunda para esses caras, tem se humilhado, mas o povo tem seu limite”, ponderou, em entrevista ao #reportermt.

Medeiros comentou que as manifestações mostraram que a população está do lado de Bolsonaro, e que isso teria assustado os opositores. Por isso, ele avalia que as declarações de que o presidente incorreu em crime de responsabilidade durante seus discursos, incitando a população contra o Poder Judiciário, não passariam de discurso.

“As pessoas estão muito ‘pê’ da vida com ministros do STF, que estão se apropriando de poderes que não são deles. Então, assim, ou esse país tem uma Constituição ou não tem. Eles não estão respeitando nada nem ninguém”, criticou.

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O deputado ainda disse que não descarta a possibilidade de que haja um pedido de impeachment de Bolsonaro, considerando a tensão gerada neste 7 de Setembro. No entanto, afirmou que o pedido não ganha força e que simbolizaria uma briga com a população, podendo gerar consequências extremas.

“Eles não vão ter coragem, porque, se abrir um processo de impeachment, esse povo todo é varrido politicamente. Sem falar que jogariam o país num caos, isso seria uma loucura. Era perigoso ter um processo de guerra civil aqui no país. Você nota a Avenida Paulista cheia, Brasília lotada, Cuiabá ontem, na Orla, foi uma coisa de louco. Então, só vão continuar sabotando o governo em tudo que podem, mas tirar não conseguem, não”, afirmou.

Manifestações

O 7 de setembro foi marcado por dezenas manifestações de apoio ao presidente Jair Bolsonaro e diversas de suas pautas, sendo uma das principais a cobrança de punição ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Bolsonaro participou dos atos em Brasília, pela manhã, e em São Paulo, à tarde, e fez um discurso no tom dos apoiadores: criticou os ministros do Supremo, e afirmou que não vai mais cumprir decisões emitidas pelo ministro Alexandre de Moraes, a quem chegou chamar de canalha.

A "briga" de Bolsonaro com Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso se acirrou com o inquérito das fake news, relatada pelo primeiro, e pela defesa do voto impresso, rebatida pelo segundo. Além disso, Moraes é o relator do inquérito que apura financiamento, por parte de produtores rurais, a atos antidemocráticos que seriam inflados com os discursos de Bolsonaro. Destaca-se, ainda, o fato de Barroso ser o presidente do Tribunal Superior Eleitoral e Moraes ser seu sucessor, para as eleições de 2022.

O discurso provocou reação negativa de diversas entidades e partidos políticos. Juristas avaliaram que o presidente poderá ser denunciado por crime de responsabilidade. O presidente do STF, ministro Luiz Fux, fez um pronunciamento nesta quarta-feira (8), afirmando que o STF não aceitará ameaças e intimidações.

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