ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER
Em entrevista ao Conexão Poder, a deputada federal Gisela Simona (União-MT), manifestou preocupação com as propostas de redução imediata da jornada de trabalho no Brasil, citando possíveis reflexos negativos na economia e no custo de vida da população. A parlamentar afirmou que, embora reconheça o desgaste físico e mental dos trabalhadores, o país ainda não apresenta as condições necessárias para uma transição imediata para modelos como a escala 4x3.
Para a deputada, o debate exige uma análise técnica profunda para evitar o aumento do desemprego ou o repasse de custos ao consumidor final.
"O Brasil não tá preparado para isso do ponto de vista econômico", afirmou, ressaltando que até mesmo o Governo Federal tem ajustado o tom das discussões.
"O ministro do trabalho, o Marinho, ele esteve lá e disse que a proposta do governo é uma jornada de 40 horas semanais e de 5x2", pontuou.
Uma das principais preocupações manifestadas pela parlamentar é o efeito dominó que o aumento do custo da hora trabalhada pode gerar. Segundo Simona, a mudança pode empurrar trabalhadores para a informalidade ou para o modelo de prestação de serviço como Pessoa Jurídica (PJ).
"Aumentar informalidade você aumentar pessoas que vão ter que arcar com os próprios direitos para poder estar no mercado de trabalho", alertou.
Além disso, a deputada destacou que o custo operacional mais elevado será inevitavelmente transferido para os produtos básicos.
"Eu me preocupo muito com o preço final dos produtos porque no final das contas quando você vê é que vai ter o aumento do curso da hora trabalhada (...) isso vai tá lá no preço do gás de cozinha no preço dos alimentos em tudo mais", explicou.
Sobre o rito de aprovação da medida, Gisela Simona sugeriu que a alteração não seja "engessada" por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), mas por lei ordinária para permitir ajustes futuros caso os resultados não sejam os esperados.
"Nós poderíamos estar tratando desse assunto por uma lei ordinária em que seria mais fácil de ter uma eventual alteração caso não dê certo", argumentou.
Atualmente, o tema segue em discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde audiências públicas com representantes da indústria, do comércio e de sindicatos de trabalhadores estão sendo realizadas para medir o impacto real da medida nos setores público e privado.
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